quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Em Manaus, Musa organiza palestra sobre aves amazônicas

Camila Ribas estuda a origem histórica (evolutiva) da diversidade de espécies de aves.



Manaus - “Por que tantas espécies na Amazônia?" – será este o tema da palestra desta quinta-feira (25), no Museu da Amazônia (Musa), sobre a diversidade de aves da região pela pesquisadora Camila Cherem Ribas, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
O trabalho de Camila Ribas busca compreender os padrões de diversificação, incluindo a origem e organização espacial e temporal da diversidade atual – um dos principais objetivos da biogeografia, que tem consequências importantes para conservação.
“Apesar de a região amazônica englobar a maior diversidade de espécies do mundo, pouco se sabe sobre a origem e organização dessa diversidade”, apontou a pesquisadora, que vê no estudo dos padrões de diversificação uma dependência de como é reconhecida a diversidade, ou seja, como são delimitadas as unidades que compõe a diversidade.
Segundo Camila Ribas, o debate sobre conceitos de espécie é extenso, mas uma padronização é necessária para que seja possível comparar grupos e faunas regionais diferentes.
“Enquanto não houver uma compreensão básica da diversidade, e enquanto essa compreensão não estiver refletida na taxonomia vigente, generalizações sobre padrões de diversificação, biogeografia histórica e prioridades para conservação estarão comprometidas”, revelou.

Para a pesquisadora, “em aves, o problema da aplicação dos diferentes conceitos de espécie e do extensivo uso de subespécies na sistemática vigente já foi reconhecido. Diversos estudos de sistemática molecular têm mostrado que, frequentemente, espécies biológicas reconhecidas pela taxonomia vigente, englobam mais de uma linhagem molecular”.
Na análise de Camila, a falha da sistemática "tradicional" em reconhecer essa diversidade precisa ser reconhecida e debatida, ou estudos que tentam buscar padrões gerais ou realizar comparações entre faunas estarão sujeitos a chegar a conclusões que não se aproximam da realidade.
A pesquisadora citou como exemplos “diversos trabalhos que falham em reconhecer a Amazônia como uma região de alta diversidade quando comparada aos Andes, e estudos comparativos de padrões de diversificação nas terras altas e baixas do Neotrópico que conclui que não há evidência de diversificação recente nas terras baixas”.

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