domingo, 24 de junho de 2012

Operação Estalo: PF no combate ao tráfico de aves silvestres


A PF cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão contra suspeitos de envolvimento com o comércio ilegal de pássaros Foto: Polícia Federal/Divulgação 
Uma operação coordenada pela Polícia Federal de Pernambuco, deflagrada na manhã desta segunda-feira (2), resultou na prisão dos principais líderes do tráfico de aves silvestres e exóticas no Brasil. Os criminosos traficavam aves nativas das florestas brasileiras e, principalmente, espécies do Peru, Venezuela e Bolívia.
As aves, a maioria canários, eram vendidas em vários estados do País para os adeptos das "rinhas" - locais de briga desses animais. No total, 20 mandados de prisão foram expedidos e, até as 13h de hoje, pelo menos 16 pessoas já tinham sido presas nos estados de Pernambuco, Ceará, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Amazonas, Santa Catarina e Roraima, além do Distrito Federal. Um dos pernambucanos, conhecido como Gordo, foi preso em flagrante no bairro da Torre, no Recife.
Outro pernambucano, o Biu, que morava na Iputinga, foi preso pela polícia de São Paulo, para onde havia viajado para buscar outra "carga" de aves. Um dos 20 mandados de prisão da "Operação Estalo" - em alusão ao canto "estalido" dos canários - foi em nome de um venezuelano, que ainda não foi localizado.
Os detalhes da operação foram apresentados no final da manhã desta segunda, em coletiva à imprensa O lucro obtido com a venda dos pássaros é muito alto.
Os canários são vendidos pelos "caçadores" pelo valor entre R$ 12 e R$ 20. Já os traficantes e atravessadores cobram pela mesma ave entre R$ 130 e R$ 220. Nas mãos dos criadores ou "prorietários finais", após receberem "treinamento", as aves são revendidas por um valor entre R$ 1 mil e R$ 20 mil. Se for um canário campeão, o valor pode chegar até R$ 100 mil. As aves exóticas, principalmente as do Peru, são mais caras por apresentarem um maior porte do que os canários nativos do Brasil e, por isso, são consideradas mais fortes.
A investigação da Polícia Federal em Pernambuco teve início no final do ano de 2010, quando 120 aves foram encontradas mortas em um terreno baldio no bairro de Boa Viagem. "Começamos a buscar informações sobre a origem dessas aves. Descobrimos que elas tinham sido trazidas do Mato Grosso do Sul, principal rota do tráfico internacional de aves", explicou a chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente e Patrimônio Histórico, delegada Adriana Albuquerque. Segundo ela, só em 2011, mais de 60 mil aves foram negociadas ilegamente no Brasil. Desde o início das investigações, a polícia já apreendeu cerca de 12 mil aves em aeroportos e rodovias federais. De acordo com a delegada Adriana Albuquerque, os traficantes utilizam quatro rotas para comercializar as aves, sendo duas delas internacionais.
A principal rota tem origem no Peru, de onde os canários são levados em ônibus até a Bolívia. Para atravessar a fronteira brasileira e chegar até a cidade de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, os traficantes contavam com a ajuda de um policial civil, que já esta preso. O policial usava o carro da corporação para transportar as aves e, assim, conseguia passar pelo posto da Polícia Rodoviária sem problemas.

A Polícia Federal divulgou as quatro rotas utilizadas pelos traficantes
De Corumbá, os animais seguiam para São Paulo. "Se o destino final fosse Minas Gerais ou Brasília, os canários eram levados em carros. Para o Nordeste, as aves eram despachadas nas empresas de transporte aéreo como carga viva, descriminadas como pintos ou codornas", explicou Adriana. Muitas aves não resistiam ao longo percurso. "Para uma carga com 700 canários, pelo menos 150 chegam mortos ao destino final", afirmou a delegadas.

O esquema para "legalizar" as aves contrabandeadas também foi descoberto pela PF. Um das táticas usadas pelos criminosos é clonar, falsificar ou reaproveitar as anilhas (anel de identicação com númeração única colocado na pata da ave) fornecidas pelo Ibama. A polícia descobriu que a fraude também era utilizada até por alguns criadores cadastrados pelo Ibama. Todas as pessoas identificadas perderam a licença.

Os envolvidos no esquema irão responder pelos crimes de formação de quadrilha, receptação qualificada, falsificação de selo público, tráfico de animais silvestres e maus tratos.

A Polícia Federal de Pernambuco solicitou apoio da Polícia Internacional Contra o Crime Organizado (Interpol) para identificar os fornecedores das aves no Peru, Bolívia e Venezuela. "A nossa meta é punir todos os envolvidos", disse a delegada. 

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